Viva,
Com o início da semana de intenso estudo, outros afazeres e o final das aulas, muitas situações pontuais ainda se encontram pendentes. Sem querer relembrar-me muito do nº de tarefas que tenho de prontificar, e não tendo muita apetência para outras tarefas não menos entediosas resolvi, por bem, fazer uma espécie de monólogo no sentido de ficar a dominar melhor o mundo tão bem cheiroso e benéfico de algumas ervas aromáticas. Porque actualmente existe uma "wave", positiva a meu ver, que defende a utilização e o consumo de produtos alimentícios dotados da maior naturalidade possível, isto é sem a adição de grandes concentrações de substâncias sintéticas (felizmente re-começou esta era), porque paralelamente ao mundo agitadamente tecnológico, se verificou que as tecnologias são exógenas ao corpo humano, porque este ainda está tecnologicamente imutável desde há muitos séculos...não obstante, de se reconhecer que os nós cegos e transtornos que lhe vamos impondo com os desarranjos alimentares com os quais o nutrimos e o alimentamos. Estas acções têm somente a finalidade de alcançar a saciedade de um qualquer food map-mind. Quer queiramos quer não, o objectivo final de toda a nossa vontade é tão somente esta. Então, se assim é...tentemos pelo menos minimizar os efeitos nefastos, adversos que em alguns casos, exagerados ou não, que poderão colmatar ou regredir esta situação. Um exemplo deste cenário, tão complexo que é a redução do consumo diário de substâncias sobejamente conhecidas como "mortais"..mas se moderadamente ingeridas até são benéficas..."é o consumo de ervas aromáticas em substituição do sal ou outros condimentos realçantes de sabor. Poderão ser cultivadas numa horta, num vaso da varanda ou da janela, ou mesmo em estufa se quisermos utilizá-las frescas todo o ano. Porém, há quem as utilize como secas...assim perdem um pouco em sabor, mas têm a particularidade de ornamentar os nossos pratos sempre que for necessário porque estão sempre disponíveis! Ultimamente, tenho-as encontrado na congelação de muitas superfícies comerciais...loll...não recomendo, porque ficam queimadas com a temperatura tão baixa, logo não apresentam qualidade para serem incluídas em qualquer preparação culinária, a não ser em sopas ou qualquer preparação que não exiga rigor algum.
Com este propósito, destacaria o uso moderado ( porque tudo tem de ser tomado moderadamente) de aditivos naturais, que bem contribuem para o equilíbrio do organismo através do seu metabolismo. No leque de aditivos naturais incluo as ervas naturais e os químicos que naturalmente fazem parte de todas estas substâncias e também aqueles compostos que não sendo do reino Plantae ou Fungi, também os considero como tal, por serem sucedâneos destes. Como exemplo, o ácido tartárico faz parte de um deles, por ser retirado naturalmente dos fundos da constituição dos vinhos, mais propriamente são os depósitos (fenóis) dos resíduos vínicos que abundam nos tanques da fermentação dos vinhos, aquando da sua preparação. Mas outros exemplos há, não sendo este post o adequado para falar sobre eles...hoje dedico-o ao uso das aromáticas.
Sobre estas botânicas de bem, tenho a melhor impressão....e provavelmente a maioria das pessoas, porque existe nelas uma preocupação não obstinada sobre tudo o que ingerimos. Assim, e colocando as ervas aromáticas no seu devido lugar e num nível elevado, existem as que apenas temperam e aromatizam , as que têm características conservantes e finalmente há também aquelas cuja função se fixa na decoração. O meu maior propósito é enfatizar as que contribuem para o melhoramento significativo dos pratos alimentícios....destacando desde já a pimenta, a canela, os cominhos, a salvia, a hortelã, salsa, o cebolinho, e outras que reduzem a utilização de sal e outros aditivos prejudiciais. São ervas aromáticas de elevado valor nutritivo e que contribuem para o melhoramento de qualquer preparação culinária. Além destas ervas aromáticas rasteiras tão úteis, também há outros cheiros (considerados assim no ramo gastronómico) que são folhas de árvores de grande porte, designadamente o louro, e o sabugueiro.Com outra envergadura mais leve, utilizam-se outras plantas como condimentos. O alecrim é um dos exemplos mais utilizados na nossa gastronomia, e por isso mesmo é considerado como sendo um dos condimentos mais apetecíveis. Todas são principalmente utilizadas no preparo de temperos de carnes e peixes, e se bem combinadas poderão ser substituto de uma quantidade de sal. Como eu já abordei aqui o uso do sal, mantenho a minha opinião defendendo que a redução total do sal não é benéfica ao organismo, mas sim uma quantidade suficientemente mínima para realçar o sabor de um qualquer ingrediente, naturalmente com os seus aromas próprios.
Sem qualquer intuito de querer incluir as ervas aromáticas noutras áreas que não são o propósito do blog, posso também distinguir o seu valor quando destas se extrai a sua essência, por destilação. É um processo muito interessante, porquanto o vi acontecer na planta do alecrim. É perfeitamente inacreditável a quantidade de pequenas ou minúsculas bolsas de seiva que cada folhinha de alecrim tem. Daí, mediante processos laboratoriais e com a ajuda de vários reagentes se consegue extrair uma gotinha do aroma da planta...é claro que o aroma, o cheiro dessa gotinha na nossa mão é intensíssimo. Não deixa de ser uma experiência que recomendo vivamente...e também porque este processo se pode estender a muitas outras plantas.
No aspecto gastronómico, ainda...se pode explorar estas facetas positivas das ervas aromáticas junto dos nossos tão ambicionados clientes...os turistas! Eles adoram saber como foi preparado o manjar que estão a degustar, são ávidos de conhecimentos gastronómicos dos sítios que visitam...uma particularidade a não esquecer!- De salientar que é preferível o uso de ervas autóctones, no sentido de realçar o cultivo ou a espontaneidade de cada uma delas no local que os próprios estão a visitar. Será decerto estabelecida uma empatia positiva, porque a hospitalidade fica mais enriquecida. Neste sentido, não convém a utilização de outras que sejam estranhas no local , ou dá-las a conhecer aos turistas. Será, de todo, um trabalho para de quem habitar nessas paragens.
Também, as ervas aromáticas são naturalmente protectoras de alguns microrganismos patogénicos que nos são prejudiciais e que connosco competem. Segundo esta publicação http://www.cienciaviva.pt/projectos/inventions2003/cozinhadarwinista.pdf, os efeitos são muito positivos, não correndo o risco de nos encharcarmos em aditivos sintéticos, mais baratos mas preparados laboratorialmente. Por último, a lavagem das ervas aromáticas é crucial, na medida em que estas são regadas com águas de poços ou de outras proveniências que poderão estar contaminadas com outros patogénicos, contaminando-nos estes se não procedermos com todos o cuidado e regras.
Uma curiosidade...sabiam que a culinária á base de ervas aromáticas é designada como culinária Darwinista?
Gi Dinis
Leva alguns Malabares,
que tomou
Per força das que o Samorim mandara
Quando os presos feitores lhe tornou;
Leva pimenta ardente, que comprara;
A seca flor de Banda não ficou;
A noz e negro cravo, que fez clara
A nova ilha Maluca, co a canela
Com que Ceilão é rica, ilustra e bela
in “Os Lusíadas”, canto IX

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